Brasil

O paradoxo do gol

Posted February 7, 2010

A melhor coisa que poderia ter acontecido para o PSDB foi o crescimento da candidata Dilma Rousseff. As tendências das pesquisas, que levam em conta uma bipolaridade pró-Lula e oposição, indicam até que Dilma já é líder nas pesquisas.

Explico. Dilma ultrapassou Serra ANTES DA HORA na corrida presidencial. Líder, será o alvo das críticas. Além disso outra mulher, Marina Silva, começa a se apresentar ao grande eleitorado e as comparações são inevitáveis. Marina tem mais carisma; possui como bandeira um ideal comum, o meio-ambiente; jamais se meteu em controvérsias; tem origem e identificação com o eleitor humilde assim como Lula. A  reputação e passado  de Marina são ilibados, e ela nunca se meteu em bolas divididas, justo ao contrário de Dilma Rousseff.

Marina Silva é o Lula que estudou. A vida dela daria um filme mais consistente e emocional que o de Luís Inácio.

Quando a candidata da situação assume a dianteira, o excesso de liquidez  injetado no auge do terror da crise resulta em déficits orçamentários absurdos no mundo todo, e as bolhas começam a implodir, com medo de calotes e volta da inflação.

Desta vez o Brasil será atingido, pois as empresas espanholas e portuguesas são muito atuantes por aqui. Isso deve elevar os juros para manter o capital especulativo; e consequentemente diminuindo o poder de barganha do governo federal, manifestado através de renúnciais fiscais controversas.

Mais: A China diminuiu o crédito. Está investindo pesado em mineração e extração de petróleo na África, resultando em problemas para nossas duas principais empresas baseadas em commodities: a Vale e a Petrobrás.

E politicamente?  O principal efeito é que Aécio Neves dá indícios que pode aceitar a candidatura de vice numa chapa pura com Serra. Hoje os governadores são extremamente populares em São Paulo e Minas Gerais, os dois principais colégios eleitorais.

Vou além: o Partido Verde escolheu como adversária da hora Dilma Rousseff , sendo que Marina troca afagos com o PSDB. Num eventual segundo turno, o apoio dos Verdes a José Serra pode acirrar os animos e os nervos de Dilma Rousseff, que não é exatamente um  modelo de mansidão e de equilíbrio.

A personalidade forte e arrogante, discurso demasiadamente técnico e certa prepotência de Dilma têm sido trabalhados pelos marketeiros, mas numa disputa bipolar  isso pode resultar num fiasco eleitoral inimaginável para seu principal mentor, o presidente Lula.

Mas por que o título deste artigo? Tenho uma teoria: tu vais jogar contra o Boca Juniors, em La Bombonera; basta pro Boca uma vitória de um a zero. Tu precisa do empate pra ser campeão. A pressão no estádio lotado é tamanha que é bom ÁS VEZES, levar um gol logo de cara, deixar os ânimos arrefecerem, e  desde que o time visitante saiba jogar, basta tocar a bola, envolver o adversário, e transferir a tensão, até porque o jogo tem noventa minutos, e não apenas quinze, pra marcar o gol do título.

Artigo imperdível do professor William Eid Júnior - FGV

Posted February 3, 2010

Leiam o artigo do Professor da FGV William Eid Júnior:

 ENTUSIASMO COM O BRASIL É APENAS NUVEM PASSAGEIRA

De uma hora para a outra o Brasil virou a bola da vez para os investidores internacionais. Segundo o noticiário, somos invejados em todo o mundo. Passamos pela crise incólumes, e melhor, com perspectivas excelentes.

Há até futurólogos que voltam a falar que o Brasil será uma das grandes potências globais num futuro não muito distante.

Mas o que é que aconteceu para sermos tão adulados? Quais foram as grandes mudanças que fizemos para merecer tal destaque? Infelizmente, nada. Nada mesmo. 

É só observarmos os rankings mundiais feitos por diferentes instituições como Banco Mundial, Nações Unidas, Jornalistas sem Fronteiras, Transparência Internacional, Heritage Foudation e Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), dentre outras.

Mas temos que olhar esses rankings como eles devem ser olhados. Não podemos nos comparar com países minúsculos e sem expressão nenhuma no globo. Somos uma das maiores economias e um dos países mais populosos do mundo.

Assim, só é válida uma comparação com países grandes e com economias representativas.Talvez possamos incluir nesse grupo uns 40 países.

Num estudo recente conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) foram elencados 42 países e a posição do Brasil em diferentes aspectos. O resultado é assustador. Corrupção? Segundo a Transparência Internacional somos o mais corrupto entre os 42. Dificuldade para abrir um negócio? Idem, estamos na 42ª posição.

Liberdade de imprensa, nível de educação e outros indicadores também mostram que o Brasil está muito longe de se tornar uma potência.

A Unesco acaba de divulgar seu ranking de educação. Nossa 88ª posição é no mínimo vergonhosa. É até engraçado: insistimos no ensino do espanhol nas escolas quando nem sabemos inglês e, em alguns países europeus, o chinês é ensinado para crianças. Claro, é com a China que essa geração vai ter que se entender.

O mais interessante é que muitos veem nesses rankings melhoras do país. Passamos da 125ª posição para a 120ª e muitos comemoram. Mas não há o que comemorar.

Em outros aspectos continuamos também na lanterna do mundo mais desenvolvido.

Infraestrutura é um dos aspectos no qual quase nada foi feito nos últimos anos. É só compararmos estradas e ferrovias com as de outros países. Sem comentar os portos.

Pior que tudo: não temos um plano de longo prazo para o país. O que queremos para 2040? 2050?

Andamos hoje, como sempre, a reboque dos acontecimentos mundiais.

Isso sem falar na violência, que é manchete constante na imprensa internacional.

E voltamos aqui à questão inicial: porque nos tornamos a bola da vez?

O motivo é simples: nosso sistema financeiro não estava exposto a riscos como o de outros países. Bancos no Brasil nunca precisaram se expor a riscos excessivos para auferir ganhos. As operações são relativamente simples e os níveis de alavancagem são minúsculos quando comparados aos de outros países.Assim, não tivemos nenhum susto na área financeira, que pode continuar concedendo crédito como nunca vimos antes para uma população sedenta por bens de consumo. Pudemos manter, ao menos em parte, o nível de atividades da indústria, combalida pela queda nas exportações. 

Aliás, falando em exportações, na lista de 42 nações somos a 40ª em volume de exportações. Isto é, nossa penetração no mundo é pífia.

Mas essa onda de boa vontade com o Brasil se manterá?

Provavelmente não. É como se durante uma enchente só o nosso campo de futebol tenha se mantido acima das águas. Não temos arquibancada nem iluminação, nosso gramado é malcuidado. Mas como é o único campo utilizável, todos vieram aqui jogar.Assim que as águas baixarem, todos voltarão aos seus estádios. Alguns com pequenos estragos, mas nada que em pouco tempo não esteja recuperado.

Aí vamos entender que o afluxo de torcedores e jogadores ao nosso campo foi apenas uma nuvem passageira.

É hora de olharmos o Brasil como ele é. Um diagnóstico realista pode nos levar a tomar decisões com impacto positivo no futuro.

Mas acreditarmos que nos tornamos o paraíso em poucos meses só nos prejudica. É mais do que tempo de olharmos o longo prazo sob pena de mais e mais nos distanciarmos dos países realmente desenvolvidos.


William Eid Junior é professor titular e coordenador do GV CEF (Centro de Estudos em Finanças da FGV/EAESP)

Sou chato, mas continuo avisando

Posted February 2, 2010

Artigo de Benjamin Steinbruch na Folha nos faz pensar


"A tendência de recuperação interna brasileira continua no radar de 2010. Nada contra. Mas é interessante observar que, nesse clima de expectativas positivas, começam a surgir no cenário mundial as primeiras profecias apocalípticas do pós-crise.

A mais tenebrosa dessas profecias se refere à China e vem na esteira de recentes medidas de elevação dos juros dos títulos públicos e restrição do crédito. Enquanto a China caminhar em passos largos, o esfriamento dos EUA e da Europa será compensado. Principalmente para o Brasil, pois os chineses são grandes consumidores de nossas matérias-primas.

As profecias apocalípticas porém, colocam dúvida exatamente sobre o ritmo chinês, ameaçado pela inflação e por uma bolha imobiliária.

O economista Richard Duncan diz que a China tem poucas chances de manter a cadência acelerada.Para atender à demanda crescente de seus manufaturados, a China trabalhou com farta distribuição de crédito e entrada de capitais destinados a investimentos industriais. Instalou, dessa forma, uma enorme capacidade de produção manufatureira, voltada para o mercado externo, que agora cortou a demanda.

A aposta apocalíptica do economista Duncan é que a China não conseguirá estimular o consumo interno a ponto de ocupar toda a capacidade de seu parque industrial. Os salários são ainda muito baixos e não há como aumentá-los sem risco inflacionário. O resultado disso seria um forte desaquecimento chinês."


Nota do editor do blog: a única coisa que resta ao Brasil, diante de tal perspectiva é rezar,  pois uma política irresponsável de gestão de gastos públicos fez nossas chances de aproveitarmos a oportunidade de nos firmarmos como potência irem para o brejo, pois não investimos em infra-estrutura e logística, nem massificamos a educação de excelência, além de relegarmos a questão do planejamento familiar. 


Mais uma vez o Brasil continua adormecido e vivendo de aparência, devido a governos populistas e perdulários, que serão julgados devidamente pela História.

Brasil - Tópicos Utópicos

Posted January 30, 2010

26. Abrir os ginásios e as quadras das escolas para usufruto da comunidade
25. Prioridade aos municípios com aferição semestral do I.D.H. premiando com computadores, hospitais, escolas, investimento NAS CIDADES e laboratórios
24. Massificação da prática esportiva
23. O combate ao sedentarismo como política de saúde pública
22. O LIXO DEVERIA TER ATÉ UM MINISTÉRIO. Desperdiçamos grande parte de nossa riqueza, justamente POR NÃO SABERMOS REDUZIR, RECICLAR E REUTILIZAR. A reciclagem e compostagem do lixo, com a construção de usinas de energia, evitando ao máximo as usinas termelétricas e priorizando as fontes de energias limpas deveria ser POLÍTICA DE ESTADO.
21. Tornar o transporte ferroviário, marítimo e fluvial quase que uma obsessão, com os caminhões fazendo o transporte intermodal.
20. Liberação do aborto, com políticas de controle de natalidade e planejamento familiar, sem sectarismos religiosos de espécie alguma, que só ampliam nosso atraso. Ou será que essas mães, a maioria jovem e viúva, têm condições de educar os filhos? Neste contexto os ídolos das crianças são os traficantes. É preciso parar de fingir que não vemos o óbvio, por ingerências absolutamente estapafúrdias, do tipo que a igreja faz com o aborto.
19. Sistema Único de Saúde 100% gratuito e de qualidade – inspirado no francês
18.Tornar toda a Amazônia Parque Nacional, sendo que qualquer desmatamento seria crime ambiental inafiançável
17. Subsidiar restaurantes populares com comida balanceada e barata, em vez de políticas assistencialistas que permitem toda a sorte de populismos e desvios
16.Implementação do método Mãe-Canguru e do programa de aleitamento materno
15. Enxugamento da grade escolar do Ensino Superior
14 .A valorização das escolas técnicas e cursos profissionalizantes
13. Educação pública, de excelência, gratuita, em dois períodos, com café da manhã, almoço, lanche e jantar e muito esporte e atividade física
12. Gastar o sagrado dinheiro do Fust com massificação ampla e irrestrita da banda larga
11. Virar do avesso a Lei Pelé, priorizando os clubes, não os empresários. Quem tem que faturar é o clube e o jogador. Terceiros que vão plantar batatas (no asfalto)
10. VALORIZAÇÃO da profissão mais importante, sem a qual nenhuma outra existe: O PROFESSOR
9. Levar o PROERD à todas as escolas brasileiras
8. TREM e HIDROVIAS: PRIORIDADES OBSESSIVAS
7. Transporte coletivo de qualidade e prioridade como política urbana
6. Pedágio para automóveis circularem nos centros das cidades
5. Redução da carga tributária 
4. Privatização do Banco do Brasil, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal, ou qualquer empresa pública que não tenha a finalidade descrita acima. O único banco público deve ser o da praça (e olhe lá)
3. Enxugamento radical da máquina pública. Governo tem que empregar, e pagar bem, policiais, professores, médicos, dentistas, enfermeiros, bombeiros...
2. PARLAMENTO UNICAMERAL
1. Adoção do PARLAMENTARISMO, com VOTO DISTRITAL MISTO E FACULTATIVO para todos os cargos legislativos 

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